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Dieselgate continua e justiça bateu à porta da BMW

BMW 320d, traseira

Dez anos após o rebentar do escândalo de emissões que ficou conhecido como Dieselgate, e que teve no seu epicentro o Grupo Volkswagen, continua a propagar ondas de choque por toda a indústria automóvel.

A fundação Car Claim está a processar o Grupo BMW por alegada utilização de software fraudulento em mais de 100 mil veículos vendidos no país. Em causa estão modelos Diesel das marcas BMW e MINI comercializados entre 1 de janeiro de 2009 e 1 de setembro de 2019.

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Investigações conduzidas nos Países Baixos, Alemanha, França e Reino Unido sugerem que a BMW utilizava um software proibido para manipular os testes de emissões. De acordo com a acusação, o sistema reduzia artificialmente os níveis de NOx (óxidos de azoto) durante os testes oficiais, fazendo com que os carros cumprissem os limites legais, sendo as emissões muito superiores ao permitido no «mundo real».

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Mini Cooper SD (2012-2014)

“É vergonhosa a maneira como a BMW enganou não só os órgãos de inspeção como também os consumidores. A empresa deve assumir a responsabilidade e indemnizar quem foi lesado”, disse Sandra Molenaar, diretora da Consumentenbond, principal associação de defesa do consumidor nos Países Baixos.

A fundação exige que a BMW realize uma recolha de todos os automóveis Diesel afetados e os adapte para que cumpram efetivamente as normas legais de emissões. Além disso, pede indemnizações para todos os proprietários atuais e antigos que tenham adquirido veículos com o software adulterado.

“Embora tenhamos iniciado um processo judicial, continuamos a solicitar à BMW um diálogo para encontrarmos uma solução justa”, disse Guido van Woerkom, presidente da Car Claim.

Dieselgate: o escândalo que abalou toda a indústria

Foi em setembro de 2015 que veio a público que a Volkswagen tinha criado um software capaz de manipular os testes de emissões dos seus veículos com motor Diesel.

Essencialmente, o veículo era capaz de «saber» quando estava a ser testado e alterava o mapa de gestão do motor para que as emissões — como a de óxidos de azoto (NOx), prejudiciais à saúde humana —, ficassem dentro dos limites impostos. Já na estrada, o veículo retornava ao mapa de gestão do motor original, ultrapassando os limites.

Estima-se que mais de 11 milhões de veículos em todo o mundo tenham sido afetados, com a larga maioria destes a estar na Europa — nos primeiros 15 anos deste século, os motores Diesel foram os mais vendidos tendo chegado a ter mais de 50% de quota de mercado.

Até hoje, a Volkswagen já pagou mais de 30 mil milhões de euros em multas, indemnizações e custos legais devido ao Dieselgate, com grande parte a ir para os EUA, onde o escândalo foi tornado público inicialmente. Vários executivos já foram acusados e condenados, mas o processo está longe de terminar.

Descubra o seu automóvel:

Para além do Grupo Volkswagen também estão em curso processos contra a Peugeot/Citroën, Mercedes-Benz, Opel, Renault/Dacia e FIAT (ex-FCA).

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