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Comprar um Nissan Qashqai usado (2013-2021). O que precisa de saber

Nissan Qashqai segunda geração, frente 3/4

Nissan Qashqai (2013-2021)

O Nissan Qashqai de 2.ª geração foi um campeão de vendas. As unidades pós-2017 são as mais interessantes no mercado de usados.

Prós

  • Preço;
  • Equipamento;
  • Versatilidade;
  • Espaço.

Contras

  • Qualidade de montagem;
  • Suspensão firme


Em 2014 chegou ao mercado a segunda geração do Nissan Qashqai. Tal como a primeira geração, esta também foi um sucesso imediato: carroçaria SUV, bom espaço interior, motores adequados, muito equipamento e preços competitivos.

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Volvida mais de uma década, continua a ser um dos SUV mais procurados no mercado de usados pelo mesmos motivos. Na página do Piscapisca.pt encontrámos mais de 400 unidades à venda, com preços compreendidos entre os 10 000 euros e os 29 000 euros.

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Neste «usado da semana» vamos explicar o que deve ter em consideração antes de comprar. Dos motores aos níveis de equipamento, sem esquecer, naturalmente, aquilo que deve ter em atenção.

Pensado para os europeus

O Nissan Qashqai sempre teve uma estética consensual. Desenvolvido e pensado especificamente para o mercado europeu, soube interpretar aquilo que os clientes do «velho continente» procuram num SUV familiar.

Nissan Qashqai 2017, frente
© Razão Automóvel Em 2017 o Nissan Qashqai recebeu um facelift. Mais visível na dianteira, onde foi totalmente redesenhado.

Assente na plataforma CMF da Aliança Renault-Nissan, cresceu onde interessava: ficou 47 mm mais longo, ficou ligeiramente mais baixo e ganhou alguns milímetros em largura.

Conhecida internamente pelo nome de código J11, a segunda geração do Qashqai passou a ter um ar mais dinâmico e menos amorfo do que o primeiro Qashqai, com linhas mais vincadas e detalhes estéticos finalmente à altura do sucesso comercial do modelo.

Nissan Qashqai 2017, traseira
© Razão Automóvel Todo o desenvolvimento do Qashqai aconteceu no centro técnico da Nissan em Sunderland, no Reino Unido. É talvez o modelo mais europeu da marca japonesa.

Evolução gigante no interior

O sinal mais claro da evolução do Qashqai na passagem da primeira para a segunda geração está no interior. O modelo original ainda tinha o ambiente duro e utilitário típico dos SUV dos anos 90.

interior Nissan Qashqai
© Nissan Os plásticos do Nissan Qashqai resistem bem à passagem do tempo. No entanto, esperem o surgimento de ruídos parasitas oriundos das portas e do tabliê.

O Qashqai lançado em 2014 mudou esse registo: linhas mais limpas, materiais mais cuidados e um design que já tentava replicar o que os melhores modelos de marcas coreanas (Kia e Hyundai) e europeias (SEAT, Volkswagen, Skoda, Peugeot e Citroën) faziam.

Ainda assim, a Nissan manteve-se contida, sobretudo na qualidade de montagem. Algumas das marcas referidas faziam melhor neste aspeto, mas também faziam pagar-se por isso.

A marca japonesa preferiu apostar na ergonomia, facilidade de utilização e no preço. A aceitação dos clientes mostra que resultou. Os bancos dianteiros eram muito bons, a perceção de qualidade subiu e a organização dos comandos estava ao nível do Grupo Volkswagen. Não impressionava, mas funcionava.

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O espaço também melhorou. O crescimento da cotas exteriores foi suficiente para dar mais espaço e conforto aos ocupantes traseiros e tornar a bagageira mais versátil, com soluções práticas como o piso modular.

Não oferecia tanto espaço como o Karoq da Skoda (521 litros) na bagageira, mas mesmo assim os 430 litros do Qashqai estavam longe de serem “apertados”.

Falando de níveis de equipamento, tudo seguia uma lógica clara e de preços diferenciados, podendo quase dobrar o preço do Qashqai. O nível Visia era a versão de entrada, oferecia o essencial com um preço que a maioria da concorrência não conseguia acompanhar.

segunda fila de assentos
© Nissan Todas as versões do Nissan Qashqai têm sistema Isofix. Um equipamento que facilita a fixação das cadeiras de criança.

O nível Acenta já tinha mais alguns elementos de conforto. Mas era no nível N-Connecta que dávamos o verdadeiro salto em termos de equipamento e tecnologia, com câmara de estacionamento traseira e assistências à condução.

Um pouco mais acima — sobretudo tudo em termos de preço — tínhamos o Tekna, com um ambiente quase premium com iluminação LED, som Bose e mais segurança. O Tekna+ era o topo de gama com pele Nappa e teto panorâmico.

Com o facelift operado em 2017 a qualidade dos estofos também deu um salto importante, bem como alguns detalhes no interior. A ergonomia do volante melhorou substancialmente.

Disponíveis para entrega imediata:

Boas sensações em estradas

A primeira geração do Qashqai teve o mérito de mostrar que um crossover não tinha de ser um «barco» e até podia oferecer alguma graça ao volante. A segunda geração manteve esse princípio, mas melhorado.

A suspensão posicionava o Qashqai (J11) do lado mais firme do segmento. Em mau piso, sentia-se alguma inquietação, mas nada que colocasse em causa o seu lado mais familiar. Quando o testámos pela primeira vez em 2014, foi fácil concluir que era um carro confortável, sem truques nem promessas exageradas.

Nissan Qashqai na estrada, frente
© Razão Automóvel A dinâmica seguia a mesma filosofia: tudo cumpre sem alarido. A direção era direta o suficiente, a resposta imediata quanto baste e a carroçaria controlada.

A normalidade era, curiosamente, o seu maior trunfo: previsível, equilibrado, estável. O típico “faz tudo bem” que tantas famílias valorizam. Nunca tentou ser mais do que era e talvez por isso tenha funcionado tão bem.

Só no limite da aderência — e a ritmos pouco habituais — é que se notam algumas concessões face a um carro mais baixo como, por exemplo, o Volkswagen Golf. Quanto à insonorização, mais uma vez, o Qashqai não era o melhor do segmento, mas também não comprometia.

Evolução dos preços

Tal como referimos no início deste «usado da semana», em Piscapisca.pt encontrámos mais de 400 unidades à venda, com preços compreendidos entre os 10 000 euros e os 29 000 euros — pode conferir todas as unidades do Nissan Qashqai aqui.

Os dados da consultora MotorCV, que agrega os valores reais de transação no mercado de usados, mostram qual é evolução/depreciação dos preços do Nissan Qashqai (2ª geração) ao longo dos anos:

preço usado nissan Qashqai
Dados referentes ao preço do Nissan Qashqai (2013-2021) à data de publicação deste artigo.

Estes valores são meramente indicativos. O nível de equipamento, os quilómetros e a motorização em causa, fazem variar de forma significativa o valor concreto de cada unidade do Qashqai.

Em termos gerais, dentro do segmento dos SUV médios, este modelo japonês “made in Europa” continua a ser dos mais acessíveis.

Custos de utilização

Em alguns componentes o Nissan Qashqai (J11) não é tão robusto como alguns rivais, mas, de forma geral, é um modelo com uma boa reputação no mercado. Neste relatório fornecido pela MotorCV tem acesso aos principais recalls desta geração do Nissan Qashqai:

Para reforçar a confiança no momento da escolha, sempre que possível, solicite o histórico de manutenção. Em Piscapisca.pt vai encontrar mais de 110 unidades certificadas e com garantia.

Agora as boas notícias. Sendo um modelo muito popular, a maioria dos componentes são acessíveis e fáceis de encontrar. Reunimos os valores que pode esperar de alguns dos componentes mais comuns:

Componente (Nissan Qashqai J11) Ref. OEM (exemplo) Origem Concorrência
Pastilhas de travão dianteiras D1060-4EA0A 110-140 € 20-60 €
Discos de travão dianteiros 40206-4EA0B 120-150 € 30-80 €
Amortecedor dianteiro 54302-HV01A 220-260 € 40-90 €
Distribuição + bomba de água 1.5 dCi (K9K, ref. varia com VIN) 250-350 € 70-150 €
Farol dianteiro esquerdo 26060-4EA0A 350-450 € 230-500 €
Para-choques dianteiro 62022-4EA0H 350-450 € 80-360 €
Braço de suspensão dianteiro esquerdo 54501-4EA0B 300-400 € 80-200 €
Preços meramente indicativos à data de publicação deste artigo. Os valores podem variar em função do ano e versão em causa.

Por exemplo, nas motorizações 1.6 dCi, 1.5 dCi e 1.2 DIG-T, há relatos frequentes de falhas no turbo. Os sintomas são típicos: incapacidade de passar das 2000 rpm e fumo azul ou preto em aceleração. A solução é quase sempre a mesma: substituição do turbo. Um componente que tem um preço compreendido entre os 400 euros e os 700 euros (acresce mão de obra).

Tenha ainda em atenção o estado do filtro de partículas — ou mesmo a sua inexistência — nas versões equipadas com motor Diesel.

No que diz respeito às suspensões, tenha atenção a batidas nos amortecedores traseiros devido a desgaste prematuro. Confirme sempre o estado dos amortecedores e se o desgaste dos pneus é homogéneo.

Há também registo de entrada de água pelo para-brisas, especialmente em unidades que sofreram substituições mal executadas. A água pode acumular-se por baixo das alcatifas, causar mau cheiro ou até afetar módulos eletrónicos. Levantar um canto da alcatifa e verificar os cantos do tabliê não custa nada e pode evitar uma surpresas desagradáveis.

A nossa escolha para o Nissan Qashqai

Naturalmente, a escolha por uma motorização deverá ter sempre em consideração o seu tipo de utilização. Além disso, num carro usado há outras variáveis a ter em conta: histórico de manutenção, quilómetros, etc.

Dito isto, a escolha mais comum no Nissan Qashqai recai no motor 1.5 dCi de origem Renault. É um motor robusto, fiável e muito poupado. Neste artigo falamos dos principais problemas e virtudes deste motor Diesel:

Face às versões equipadas com o mais pujante e moderno motor 1.6 dCi, perde nas acelerações e velocidade máxima, mas a diferença não é substancial. Numa utilização normal, vai valorizar a melhor resposta do motor 1.5 dCi a baixos regimes e, sobretudo, os consumos.

Caso as suas deslocações sejam curtas e maioritariamente em cidade, as versões com motor a gasolina são a melhor escolha, nomeadamente a versão 1.3 DIG-T. Evitará problemas com entupimento de filtro de partículas e, por outro lado, terá à sua disposição 140 cv de potência.

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Relativamente aos níveis de equipamento, as versões Tekna e N-Connecta são as mais apetecíveis. A lista de equipamento de conforto e tecnologia é extensa.

Alternativas ao Nissan Qashqai

O Nissan Qashqai foi o percursor do segmento dos SUV/Crossover familiares de dimensões compactas. Uma fórmula de sucesso que na primeira geração rendeu à marca mais três milhões de unidades produzidas.

Nissan Qashqai
© Nissan O primeiro Nissan Qashqai acabou por definir todo um segmento.

Todas as marcas quiseram entrar na corrida. E quando a segunda geração do Nissan Qashqai chegou ao mercado a concorrência já não estava desprevenida. Entre elas, algumas com recurso às mesmas armas, nomeadamente o Renault Kadjar que recorre à mesma plataforma e aos mesmos motores do Qashqai.

No campo das marcas do Grupo Volkswagen, os principais rivais eram o SEAT Ateca e Skoda Karoq. Dois modelos muito semelhantes que tinham nos motores 1.0 TSI e 1.6 TDI importantes trunfos. Além disso, ofereciam uma capacidade de bagageira acima da média no segmento. Face ao Qashqai perdiam no equipamento de série, mas ganhavam na qualidade geral do interior.

Do lado da oferta das marcas sul-coreanas, importa destacar o Kia Sportage e o Hyundai Tucson. Outra dupla de modelos com soluções partilhadas (motores, plataforma, etc). O Hyundai Tucson oferece um dos habitáculos melhor insonorizados e construídos do segmento. O Kia Sportage não tem a mesma atenção ao detalhe do seu irmão, mas tem um visual e uma postura mais “desportiva”. Dois modelos com garantias muito extensas, por isso é frequente encontrar no mercado de usados modelos da Hyundai e Kia ainda com garantia de fábrica.

Finalmente, o Toyota C-HR. É seguramente o modelo menos familiar desta lista, mas responde com um argumento importante: os consumos muito baixos do motor híbrido da Toyota. Não é a melhor companhia em acelerações vigorosas (devido à caixa CVT), mas em cidade vai brilhar pelos consumos muito moderados.

Veredito

Nissan Qashqai (2013-2021)

O Nissan Qashqai de segunda geração continua a ser um valor seguro. A versão mais comum é também aquela que faz mais sentido: 1.5 dCI. Potência suficiente e consumos moderados. Em termos de acabamentos não é uma referência, mas compensa com um nível de equipamento acima da média e um interior espaçoso que é merecedor de transportar o bem mais precioso de todos: a nossa família.

Prós

  • Preço;
  • Equipamento;
  • Versatilidade;
  • Espaço.

Contras

  • Qualidade de montagem;
  • Suspensão firme

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