Uma clínica de reabilitação em Londrina, no norte do Paraná, foi interditada sob graves denúncias de tortura e cárcere privado contra seus internos. Em uma ação conjunta do Ministério Público do Paraná (MP-PR) e da Vigilância Sanitária, autoridades descobriram um cenário assustador onde pacientes eram trancados por horas e dopados à força.
A operação na última segunda-feira (6) resultou na prisão em flagrante de uma sócia, do coordenador da unidade e de três funcionários. A Justiça já converteu as detenções em prisões preventivas pelos crimes de sequestro, cárcere privado, tortura e uso irregular de substâncias. O proprietário do estabelecimento não foi localizado durante a fiscalização.
Durante a vistoria, as equipes encontraram mais de 30 homens confinados em um único cômodo por mais de dez horas seguidas. O grupo era formado por dependentes químicos, idosos, pessoas com deficiência e indivíduos com transtornos mentais. Os funcionários do local tentavam justificar a grave violação chamando a prática de “descansoterapia”.
A promotora Susana Lacerda explicou que os internos frequentemente recebiam alimentação estragada ou em quantidades insuficientes. Quando as famílias enviavam mantimentos de fora, os próprios funcionários consumiam os produtos em vez de repassá-los aos pacientes. Aqueles que ousavam reclamar das condições precárias tornavam-se alvos imediatos de agressões físicas e psicológicas.
As vítimas denunciaram que eram forçadas a ingerir um líquido de origem desconhecida, apelidado pelos funcionários de “danoninho”, que as deixava dopadas por vários dias. A equipe de fiscalização apreendeu quatro recipientes contendo essa substância misteriosa para análise pericial.
Internos também relataram ter sofrido internações forçadas, afirmando que chegaram a ser imobilizados e medicados contra a vontade. O suporte médico era praticamente inexistente, contando com a visita de apenas um enfermeiro a cada 15 dias. A infraestrutura do local refletia o abandono, apresentando camas e banheiros quebrados, além de estoques de remédios e alimentos vencidos.
Panorama das irregularidades encontradas:
- Negligência médica extrema: Pacientes relataram ter atendimento negado mesmo ao apresentar sintomas graves, como cuspir sangue, com os funcionários alegando ser uma reação “normal”.
- Tortura psicológica: O medo de sofrer retaliações e agressões fazia com que os pacientes escondessem a verdade e escrevessem cartas afirmando às famílias que estavam bem.
- Falta de estrutura: A clínica, que já possuía um histórico de outras denúncias, funcionava sem apresentar as condições básicas e sanitárias de operação exigidas por lei.









